A 23 dias do julgamento de Lula, o ‘k-suco ferveu’ no TRF-4. Imagina no dia 24

O bicho pegou. O ‘k-sucou ferver’ nesta terça-feira (2) em frente à sede do TRF-4, em Porto Alegre, quando o repórter fotográfico Guilherme Santos, do portal Sul21, teve uma pistola apontada para a cabeça por um integrante da Brigada Militar — a polícia militar dos gaúchos.

Se a 23 dias do julgamento da apelação do ex-presidente Lula naquele tribunal o k-suco já ferveu, imagina no dia 24 quanto estará elevada a temperatura nas imediações do TRF-4.

Se Lula for condenado por um tríplex no Guarujá cuja propriedade não é dele, sem provas concretas, poderá ficar proibido de concorrer na eleição presidencial deste ano. É isto que está em jogo, portanto, a democracia e as eleições livres no país.

Abaixo leia relato.

Repórter do ‘Sul21’ é abordado pela Brigada e tem arma apontada para a cabeça nas imediações do TRF4

por Marco Weissheimer, no Sul21

O repórter fotográfico Guilherme Santos, do Sul21, teve uma pistola apontada para a cabeça, na tarde desta terça-feira (2), por um integrante da Brigada Militar, durante uma abordagem realizada nas imediações do prédio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Guilherme foi abordado por quatro policiais em uma viatura da Brigada Militar, na avenida Augusto de Carvalho, cerca de 10 minutos depois de fazer algumas fotos externas do prédio do TRF4, onde será realizado o julgamento em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 24 de janeiro.

Na abordagem, segundo relata o repórter, um dos policiais apontou uma pistola para ele, pela janela da viatura, e ordenou que colocasse as mãos na cabeça.

Guilherme Santos, que portava o crachá do Sul21 no momento da abordagem, se identificou como jornalista e explicou que estava trabalhando.

Os policiais pediram o documento de identidade do repórter e passaram os seus dados pelo rádio.

Após a identificação, ele foi liberado.

Questionados sobre o motivo da abordagem, os policiais disseram que receberam um chamado para averiguar o que ele estava fazendo nas proximidades do prédio do tribunal.

“Fiquei muito nervoso e sem reação na hora. Não entendi o que estava acontecendo. Não tinha nenhuma explicação para uma abordagem daquele tipo com arma apontada para a cabeça. Eu estava trabalhando, com a câmera no pescoço e o crachá visível na altura do peito”, relatou Guilherme Santos.

A assessoria de comunicação social do TRF4 disse que a ligação não partiu do tribunal e assegurou que não há nenhuma orientação para esse tipo de abordagem.

Segundo Analice Bolzan, coordenadora de Comunicação do tribunal, os profissionais da imprensa poderão acompanhar o julgamento do dia 24 de janeiro, segundo regras de credenciamento que deverão ser definidas na próxima semana.

O Sul21 entrou em contato com o Cel. Jefferson Jacques, comandante do CPC (Comando de Policiamento da Capital), para entender se existe uma orientação para abordagens deste tipo nas imediações do TRF4 e se já há alguma restrição física ao trabalho de jornalistas na região.

Segundo ele, o plano de segurança para o dia do julgamento está sendo montado mas, no momento, não há qualquer restrição para a circulação de pessoas no local.

O coronel disse ainda que, para que a BM tenha feito a abordagem, ela precisa ter sido acionada por outra parte.

Com foto de Guilherme Santos/Sul21

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