Explosões em bancos caem e assaltos crescem

Apesar do número de explosões ter recuado, duas ocorrências do gênero já foram registradas no Estado neste ano

As agências bancárias paranaenses registraram 158 ataques no ano passado. O número é 22,16% menor do que as 203 ocorrências anotadas em 2016. A redução mais significativa foi a de explosões de caixas eletrônicos, que caiu de 109 para 59 no mesmo período. Os arrombamentos também diminuíram; de 62 para 59. Porém de acordo com o Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região, isso é reflexo da diminuição dos caixas eletrônicos. Com menos opções, os criminosos têm se concentrado nos assaltos a bancos. Em 2017, foram 48 casos, 16 a mais que o ano passado, crescimento de 50%.

O presidente do Sindicato, João Soares, afirma que o número de ataques reduziu em função da eliminação de caixas eletrônicos de estabelecimentos comerciais, como supermercados, farmácias e postos de combustíveis. “Isso aconteceu não porque a segurança melhorou, mas por causa da retirada desses caixas eletrônicos. Isso fez com que os bandidos migrassem suas ações para os assaltos”, apontou.

Apesar da redução das explosões, duas agências sofreram explosões durante a madrugada de quarta-feira (10), uma em Piraí do Sul, nos Campos Gerais, e outra em Guaraqueçaba (Litoral). Na primeira ação, uma quadrilha ateou fogo em um carro em frente ao destacamento da Polícia Militar para evitar uma reação. Em seguida, eles fizeram três explosões em uma agência no centro da cidade e dispararam vários tiros de rifles. Em dezembro do ano passado, cerca de 10 homens dominaram o gerente de um banco e a família dele para assaltar a agência em que ele trabalhava. Toda a família foi mantida como refém por uma manhã inteira, enquanto comparsas praticavam o roubo.

Na outra explosão, em Guaraqueçaba, três bandidos armados fizeram cinco reféns, usando-os como escudo para fugir da polícia após detonarem os explosivos na agência. Na fuga, eles ainda atiraram em um barco ambulância, mas ninguém se feriu. No fim da tarde de quarta-feira, a polícia encontrou o esconderijo de supostos integrantes da quadrilha, em um sítio no Distrito da Serra Negra. Uma mulher foi presa e outros suspeitos fugiram.

Por meio de nota, a Sesp (Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária) reforçou que “todos os crimes relacionados a ataques de caixas eletrônicos são monitorados e contam com o apoio do Diep (Departamento de Inteligência do Estado do Paraná) nas investigações e ações desenvolvidas, por meio de uma força-tarefa composta por policiais civis e militares”.

A nota citou ainda que a força-tarefa deflagrou diversas operações ao longo dos últimos meses e que as investigações colhem informações de todos os casos registrados para saber se guardam relação entre si. Por fim, a Sesp lembrou que, apenas em uma única ação de 2017, 19 pessoas de uma quadrilha especializada em explosão de caixas eletrônicos foram presas em diferentes pontos do Paraná e também em Santa Catarina.

‘Ações estão cada vez mais ousadas’

“As estratégias dos bandidos têm sido cada vez mais ousadas”, apontou o presidente do Sindicato de Vigilantes de Curitiba e Região, João Soares, ao citar ações como a de utilizar reféns como escudo humano, atirar contra policiais na frente do destacamento da Polícia Militar para evitar a interferência durante o assalto e a utilização dos chamados “miguelitos”, que são emaranhados de pregos lançados pelos bandidos com o objetivo de perfurar os pneus das viaturas para facilitar a fuga. Essa foi a estratégia utilizada pelos bandidos no ataque a caixas eletrônicos em Guaraqueçaba.

Ele demonstra preocupação quanto ao avanço da utilização de armamentos pesados pelos criminosos. “O que mais preocupa é a utilização de fuzis nos assaltos, como a que aconteceu em Piraí do Sul. Esse tipo de armamento coloca em risco a vida não só dos seguranças, mas da população em geral. Imagine uma troca de tiros entre bandidos armados com fuzis e a PM? Não quero nem imaginar a tragédia que pode acontecer”, advertiu. Sobre os arrombamentos, Soares explica que a variação dos números não foi tão grande porque o número de agências permanece praticamente o mesmo e raramente há notícias de prisão de bandidos que cometem este crime.

Segundo Soares, essa insegurança preocupa os vigilantes. “O profissional de segurança privada vai trabalhar e não sabe se vai retornar para casa”, expôs. Ele destacou que o sindicato consegue monitorar o aumento de transtornos psicológicos dos funcionários, porque a convenção coletiva determina a obrigatoriedade da oferta de planos de saúde aos funcionários e por meio deles foi constatado um aumento dos tratamentos psicológicos em função da violência. “O funcionário que passa por uma situação dessas não quer mais trabalhar”, apontou. (V.O.)

Celso Felizardo e Vítor Ogawa
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

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