Mais dois suspeitos de ataque na BR-376 morrem em confronto

Na chácara, policiais encontraram duas armas de fogo, coletes balísticos, além de carregadores de munição e ferramentas usadas em assaltos

Dois suspeitos de participação na tentativa de assalto a cinco carros-fortes que seguiam pela BR-376, nos Campos Gerais, na manhã de terça-feira (6), morreram em suposto confronto com a PM (Polícia Militar), durante a madrugada de quarta-feira (7). Segundo a polícia, foi recebida a informação de que indivíduos envolvidos em ataques a caixas eletrônicos estariam escondidos em uma propriedade rural no bairro Bateia, em Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba).

Equipes da Rone (Rondas Ostensivas de Natureza Especial) se deslocaram até o local e ao chegarem foram recebidas com disparos de homens que estavam em um Toyota Etios. Com um dos suspeitos foi encontrado um fuzil AK-47 e com o outro uma pistola calibre 380. Além deste carro e armas, os PMs acharam no suposto esconderijo um Sandero. Os veículos estavam com as placas trocadas e com alerta de roubo. Ainda foram apreendidos carregadores, pregos entrelaçados, colete balístico e mais duas armas de fogo, entre outras ferramentas.

Todo o material recolhido foi entregue ao Cope (Centro de Operações Policiais Especiais), da Polícia Civil em Curitiba, responsável pela investigação da tentativa de assalto aos carros-fortes. O nome dos mortos não foram divulgados. Por meio de assessoria de imprensa, o Cope afirmou que foi aberto um inquérito para esclarecer se o caso de Campo Largo tem ou não ligação com a ação na BR-376.

Na terça, um terceiro suspeito foi encontrado morto a cerca de sete quilômetros da onde aconteceu a tentativa de assalto. Ele teria sido alvejado no intenso tiroteio entre criminosos e vigilantes. Até o momento, dois homens com possível participação foram presos. De acordo com o tenente-coronel do Bope (Batalhão de Operações Especiais ), Hudson Teixeira, existe a possibilidade do grupo estar ligado a uma quadrilha que tem atuado no Paraná com roubos de caixas eletrônicos.

“Tivemos dois casos de tentativa de assalto a carro-forte na BR-277 recentemente, em que podem ter sido utilizados as armas que aprendemos na terça. Em 2017, fizemos a prisão de um grupo que se deslocava para o Interior do Estado para efetuar ataque a caixas eletrônicos. Na operação, foi preso o parente de um dos suspeitos detidos no caso da BR-376”, explicou. Com os presos foram encontrados fuzis com capacidade para derrubar helicóptero.

LUTO
Além do suspeito encontrado morto, também morreram, após terem sido alvejados durante o tiroteio, o vereador de Barra do Jacaré (Norte Pioneiro) Elton Alexandre de Aguiar Matta (PV), 36, e o caminhoneiro Vilson Pereira, 41. Outras duas pessoas foram internadas, sendo um caminhoneiro e outro parlamentar do município de cerca de 2.800 habitantes. Miguel Calixto (PSD) recebeu dois disparos no rosto e passou por uma cirurgia. Ele seguia internado em coma induzido no Hospital Bom Jesus, em Ponta Grossa (Campos Gerais). Seu estado de saúde era considerado grave. Já o motorista de caminhão Celso Luiz Beste recebeu alta.

O velório de Matta aconteceu na quarta, durante o dia, no salão paroquial de Barra do Jacaré e o enterro no final da tarde, no cemitério da cidade. A prefeitura decretou luto oficial pela morte do vereador. Sobrevivente do tiroteio, Edival do Nascimento (PR) seguia com os colegas de câmara para Curitiba, onde teria reuniões com diversas secretarias. Um dia após o ocorrido, ele considera o fato de ter saído ileso um “milagre”. “Só tenho que agradecer a Deus”, resumiu.

De acordo com ele, a quadrilha estava uniformizada e um caminhão bitrem tinha sido atravessado na pista, impedindo o trânsito, quando abordados. “Estavam (criminosos) com camisa azul e boné da Polícia Federal. Chegaram com a arma apontada e nos mandaram descer do carro, porque não queria nada conosco. Corremos uns 500 metros depois disso”, relembrou. O vereador disse estar assustado com tudo o que aconteceu e que o clima em Barra da Jacaré é de tristeza. “Nunca passei por uma situação desta. O tiroteio durou, no mínimo, uma hora.”

Nascimento contou que eles estavam abaixados atrás de um caminhão, quando vigilantes dos carros-fortes solicitaram que saíssem de onde se escondiam. “O helicóptero da polícia já tinha chegado, mas eles continuaram atirando. Foram as balas dos vigilantes que acertaram meus companheiros”, revelou. Sobre a fala do vereador, a Proforte esclareceu “que está dando o apoio necessário às apurações que estão sendo feitas pela polícia e que está adotando todas as medidas devidas para o andamento das investigações, inclusive perícia.”

Pedro Marconi
Reportagem Local/FOLHA DE LONDRINA

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