‘Passagem de ônibus no Rio não é cara’, afirma candidato Carlos Osorio

Carlos Roberto Osorio (PSDB), de 50 anos, pretende fazer uma reorganização das linhas de ônibus na Zona Oeste, caso seja eleito em outubro. Mas, segundo ele, a decisão será tomada “conversando com a população”. O deputado e ex-secretário de Transportes no governo Paes afirma, em entrevista realizada no gabinete de sua campanha, em Santa Teresa, que vai suspender a racionalização das linhas de ônibus, e que a passagem a R$ 3,80 não é cara.

Como o senhor avalia a educação no município?

Temos duas questões que são fundamentais. Existe uma guerra fria entre a prefeitura e os professores. E isso está fazendo muito mal. Não há mais diálogo. A prefeitura enxerga os professores como potenciais inimigos. Isso é muito negativo. Temos que romper com esse processo. Minha proposta é iniciar o diálogo imediatamente. Uma outra coisa importante, quando a gente fala da rede, é que o Tribunal de Contas do Município apresentou números perturbadores. Quase metade das escolas tem falta de professor, e 43% delas são consideradas ruins no estado de conservação. Isso mostra que a política de educação do Rio hoje tem vários problemas. Educação não é marketing político.

O sistema de ônibus no Rio é de qualidade?

Não. Ele é ruim. Temos muitos problemas e eles foram amplificados pela prefeitura. Ela fez um processo de racionalização dos ônibus de forma totalmente equivocada, que começou a ser implantado cerca de seis meses depois que eu sai da secretaria. Ele (Paes) não ouve as pessoas, e teve por objetivo aparente o atendimento da demanda das empresas de ônibus.

O que o senhor pretende fazer?

Vou suspender esse processo no dia 1º de janeiro de 2017, e pedir um processo de revisão, conversando com o usuário. Outro problema é na Zona Oeste, que tem vazios de atendimento. A minha proposta é fazer intervenção no consórcio Santa Cruz, que atende a região. Pelo não planejamento adequado das linhas, há muitas que fazem uma distância maior do que deveriam. Elas poderiam estar perfeitamente alimentando modais de transporte de alta capacidade do que concorrendo diretamente com eles. Existe irracionalidade. Tem que rever a grade. Em paralelo, vamos fazer a implantação da legalização do sistema de vans. O prefeito não deixou que nós fizéssemos a licitação. Está fazendo na véspera da eleição.

A passagem de ônibus na cidade é cara?

Se você comparar com São Paulo, não. A tarifa no Rio não é R$ 3,80. É mais baixa do que isso. Porque, com R$ 3,80, você pode fazer duas viagens com a mesma tarifa. São Paulo tem uma tarifa muito próxima à nossa. Mas eles pagam R$ 2 bilhões por ano de subsídio para a integração. Se pegar a tarifa real, não diria que é cara. Mas nós precisamos de um sistema de controle e transparência das tarifas. O nosso sistema não tem a transparência adequada. Temos que melhorar muito nesse quesito. Nós vamos fazer isso. Os números serão abertos.

E por que o senhor, como secretário, não fez isso?

Nós iniciamos o processo para isso. Criamos uma série de regulamentações, iniciamos o processo. Contratamos a Ernst & Young para fazer a auditoria. Qual era a realidade? Tinha um número que não era verdadeiro, fornecido pelas empresas. Cada empresa tinha seu plano de custos. Você não tinha como juntar, porque elas trabalham de maneiras diferentes. Então, contrata a auditoria para botar todos os números iguais e checar se esse é o custo real. Mas não foi dado prosseguimento ao processo.

Em que momento ele foi interrompido?

A Ernst & Young chegou a ser contratada, criamos um Portal de Transparência, e, depois, eu deixei a prefeitura (Osorio assumiu a Secretaria estadual de Transportes).

Uma crítica recorrente é que o sistema de ônibus da cidade é feito para atender aos empresários do setor e não à população. Isso é verdade?

Acho que é uma crítica correta. O sistema de ônibus nasceu e cresceu de maneira torta e ainda está torto.

Que mecanismos de participação o senhor prevê?

A nossa prefeitura vai ser totalmente aberta. Vai falar com a prefeitura através das novas tecnologias, e os cidadãos vão ter oportunidade de opinar, dar sugestões, criticar, sobre qualquer tipo de assunto. E ter serviços prestados pela internet. É inacreditável que a Secretaria de Transportes abra 11 mil processos por mês no Rio. Tudo no papel. Pedi dinheiro para informatizar e o prefeito não me deu. Estamos no século 19 nessa questão.

Com quais ferramentas o senhor vai receber as sugestões?

Numa que eu sou muito melhor do que os outros: não tenho medo de rua, nem de gente. O agente público tem que gostar de rua e de gente. Eu tenho alma de vendedor de cerveja, que gosta de rua e de cerveja.

O senhor saiu do PMDB em fevereiro depois de participar da prefeitura do Paes e do governo do Pezão — ambos com problemas financeiros. O PMDB quebrou o Rio?

Ele teve um papel muito grande na falência do estado, e está contribuindo com a deterioração das contas públicas do município. Isso é um fato. O que aconteceu no Brasil e no Rio, na base, é o projeto de um grupo do poder.

O senhor ficou chateado com Eduardo Paes por manter a candidatura de Pedro Paulo e não escolher o senhor, mesmo após as acusações de agressão contra a ex-mulher?

Não me cabe comentar as decisões do prefeito. Acho que o candidato Pedro Paulo não é o melhor candidato. Ele não é o primeiro-ministro do prefeito. Ele é assessor de confiança do prefeito. O Eduardo Paes é um gestor centralizador.

 

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