Projeto de Requião substitui “excelência” por “querido” para autoridades; assista

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) anunciou da tribuna, nesta quinta-feira (14), que apresentará um projeto acabando com o pronome de tratamento “excelência” para designar autoridades. Segundo ele, não faz sentido numa República esse “formalismo” distinguindo-as dos demais cidadãos.

“Um concurseiro treinado nas cartilhas, um senador, ou mesmo um vereador de pequena cidade fazem questão de ser chamados de ‘excelência’”, criticou o parlamentar. “É o pessoal do ‘você sabe com quem está falando?’”, disse, indicando abuso de autoridade.

Requião tomou as dores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que no depoimento de ontem (13), em Curitiba, foi repreendido pela procuradora Cristina Groba Vieira por chamá-la de “querida” durante o interrogatório.

Eis o diálogo entre Lula, a procuradora do MP e o juiz Sérgio Moro:

Lula – “Não, eu não tenho, querida, eu não tenho.”
Groba Vieira – “Também pediria que o senhor ex-presidente se referisse ao membro do Ministério Público pelo tratamento protocolar devido.”
Lula – “É, como é que seria? Doutora?”
Moro – “Sei que, evidentemente, o senhor ex-presidente não tem nenhuma intenção negativa em utilizar esse termo “querida”, mas peço que não utilize, tá? Pode chamar de “doutora”, “senhora procuradora”, perfeito?”

Para Requião, o ex-presidente utilizou na audiência um “vício de linguagem” comum entre os brasileiros no tratamento aos “queridos” operadores da lava jato.

Tirando a questão da troca do “excelentíssimo” pelo “querido”, que será objeto de projeto de lei, Requião também denunciou a força-tarefa por poupar os bancos nas investigações e nas delações. De acordo com o senadora do PMDB, até agora os “queridos” operadores da lava jato não explicaram como é possível o crime de lavagem de dinheiro sem a cumplicidade criminosa da banca financeira.

Minutos antes, da mesma tribuna, o senadora Lindbergh Farias (PT-RJ) já havia denunciado a blindagem da mídia à participação do ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que foi administrador do grupo JBS, de Joesley Batista.

Abaixo, assista ao discurso de Requião:

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